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Reitor da UnISCED apresenta livro sobre Digitalização de Línguas moçambicanas e Inteligência Artificial

calendar_month 23 de Fevereiro de 2026

O Reitor da Universidade Aberta ISCED (UnISCED), Prof. Doutor Martins Laita, apresentou no dia 23 de Fevereiro, na Cidade da Beira, a obra intitulada “Digitalização das Línguas Moçambicanas e Inteligência Artificial”, num evento realizado no formato presencial e online.

A obra é assinada por Armindo Ngunga e António Ndapassoa, contando ainda com a coautoria do Director de Recursos Virtuais e Multimédia da UnISCED, Mestre António Chimuzo, entre outros investigadores nacionais.

Durante a apresentação, foi sublinhado que o livro vai além de uma simples colectânea de artigos científicos, assumindo-se como um posicionamento académico e estratégico sobre a integração urgente das línguas moçambicanas no ecossistema digital.

Prof. Doutor Laita defendeu a necessidade de se ter a língua em várias  fontes de informação digitais nomeadamente: motores de busca, tradutores automáticos, sistemas de reconhecimento de voz e ou plataformas digitais de aprendizagem, para que não perca,  gradualmente, espaço no mundo contemporâneo, traduzido em  “exclusão digital, cultural e social”.

Estruturado em quatro capítulos, o livro aborda desde a diversidade linguística de Moçambique e o potencial transformador da inteligência artificial, até aos desafios da chamada “pobreza digital linguística” — caracterizada pela fraca presença das línguas nacionais nas plataformas digitais, ausência de bases de dados estruturadas e escassez de ferramentas tecnológicas adequadas.

A publicação apresenta ainda estudos concretos, incluindo experiências de reconhecimento óptico de caracteres aplicadas à língua emakhuwa, reflexões sobre processamento de linguagem natural e propostas para criação de corpora estruturados e modelos computacionais específicos para línguas bantu.

Entre as principais mensagens da obra destaca-se a teoria que defende a digitalização das línguas moçambicanas como condição para a soberania digital e inclusão tecnológica no país. Os autores defendem igualmente a produção de recursos lexicográficos digitais no fortalecimento da literacia e  no desenvolvimento de futuras aplicações tecnológicas.

No plano educativo, o livro argumenta que a integração da inteligência artificial no ensino, aliada ao uso das línguas locais, pode reduzir barreiras de aprendizagem, aumentar o sucesso escolar e democratizar o acesso ao conhecimento. “A inteligência artificial pode ser instrumento de exclusão ou de emancipação, cabendo-nos decidir se queremos que as nossas línguas sejam marginalizadas no ciberespaço ou protagonistas na modernidade tecnológica”, enfatiza a obra.

Os autores defendem ainda que não há soberania digital sem soberania linguística e apelam à mobilização conjunta de académicos, governo, sector privado e comunidades para superar a pobreza digital linguística.

O lançamento foi marcado por um apelo claro: que o livro não seja apenas lido, mas implementado, inspirando políticas públicas, projectos académicos e inovação tecnológica, com vista a garantir que nenhuma língua moçambicana fique para trás na era digital.

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